GUIMARÃES, BERÇO DE AFONSO HENRIQUES(1)
Autor: Noticias de Guimarães em Quinta-feira, 5 Novembro 2009
“Ora se em 1120 já era viúva há 12 anos, vem garantir-nos que o marido, pai do nosso primeiro Rei, morreu em 1108. Foi Almeida Fernandes quem o afirmou, quando estava no seu perfeito e esclarecido juízo.”Cada vez estou mais convencido de que nada e ninguém conseguirá – salvo truques de mau gosto – demonstrar que o nosso primeiro rei não nasceu em Guimarães. Apesar das pedradas de narcisistas que nunca passaram de directores de turma e que chamam aos outros aquilo que eles são, mantenho a esperança de que nem a Academia Portuguesa de História vai cometer a barbaridade de reunir para solicitar a mudança dos manuais escolares, apagando Guimarães por troca com Viseu, nem os honrados Viseenses de bom senso conseguirão demonstrar, que ali viveram os condes e ali nasceu o filho que foi o Rei Fundador.
Na última semana pude deixar nesta coluna o argumento devidamente registado, como nota final, ao Romance de Cristina Torrão. Ainda não se falava da celebração, em Viseu, dos 900 anos de Afonso Henriques e já Cristina Torrão refutava a frase equívoca de José Mattoso que empertigou os apoiantes do mero palpite de A. de Almeida Fernandes. Cristina Torrão estava a residir na Alemanha e não deixou escapar a contradição de Mattoso, facto que a levou a incluir na nota final, a explicação necessária aos potenciais leitores que lessem o seu Romance sobre Afonso Henriques e ficassem baralhados. No seu entender, Afonso Henriques terá nascido em 1108. E de uma coisa ela diz estar convencida: em 1109 não poderia ter nascido Afonso Henriques porque, entre o Verão de 1108 e o Verão de 1109 (citando José Mattoso), estaria ausente para França, não podendo gerar o filho, uma vez que a Mãe ficou por cá. Este é um argumento de peso.
Mas há mais: recebi por mail um testemunho, cujo autor não cito, por me pedir reserva. Diz o seguinte: «na sequência do meu email anterior sobre as fontes que suportam a data de nascimento de Afonso Henriques em 1106 noto, agora, que o próprio Alfredo Pimenta escreveu: Por mim inclino-me a que tivesse nascido à volta de 1106, conforme Fontes Medievais da História de Portugal, 1ª edição, 1948, p.26». E diz mais: «parece-me que o ano de 1109, apontado por Almeida Fernandes tem uma justificação muito frágil. Tanto assim que os seus defensores deturparam uma frase de José Mattoso, para forjarem uma garantia de veracidade, quando o que ele escreveu no livro D. Afonso Henriques «é uma opinião provisória, uma probabilidade, enquanto não se provar o contrário». De facto na contracapa essa frase aparece deturpada. E este especialista alerta para essa manhosa manobra.
Tenha-se – a propósito desta muleta de Mattoso à tese de Almeida Fernandes – em atenção que este declara, por diversas vezes, no seu revolucionário livro que à sua «tese» apenas serve a data de 1109. Daí que se Afonso Henriques nasceu em qualquer outro ano (que não 1109), basta demonstrar que o nosso primeiro rei nasceu em qualquer outro ano dos muitos que são possíveis, entre 1094 e 1113.
O autor do email aqui já referido esclarece melhor: «A data de 1106 que consta da lápide da Igreja de S. Miguel, junto à Pia Baptismal, não me parece que tenha lá sido colocada por acaso. Há três fontes coevas que a suportam: a Vida de S. Teotónio, o «Indículo da Fundação do Mosteiro de S. Vicente e a «Relação» da Trasladação das relíquias do mesmo santo. As partes destas fontes que nos interessam estão reproduzidas na História de Portugal, de Gonzaga de Azevedo (1940, vol. III, p. 240). Veja-se o que conclui este historiador (p.242) sobre mestre Estêvão, o autor da «Relação»: «(…) nada lhe falta, pois, para ser reputada testemunha digna de fé».
O próprio A. de Almeida Fernandes escreveu na Revista de Guimarães, página 9 do vol. LXXXVIII, 1978 o seguinte: «-1120: concórdia entre os bispos de Coimbra e de Viseu….Nesta época do seu governo, D. Teresa, com doze anos de viúva de seu marido, de quem o herdara, apresenta-se-nos no mais alto de um poder bem expresso no título que já usava de três anos atrás: ´Rainha de Portugal». Ora se em 1120 já era viúva há 12 anos, vem garantir-nos que o marido, pai do nosso primeiro Rei, morreu em 1108. Foi Almeida Fernandes quem o afirmou, quando estava no seu perfeito e esclarecido juízo.
Finalmente, por hoje, remeto os meus pacientes leitores para o Livro «Santa Cruz de Coimbra -do século XI ao século XX, (Coimbra- 1984). Aí escreveu o Prof. Doutor António Cruz: quando S. Teotónio morreu, em 1168, tinha Afonso Henriques 56 anos de vida e 35 de reinado. Ora a Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, vol. 31, escreve que S. Teotónio nasceu em 1090. Somando os 78 anos de vida do Santo, teria falecido em 1168. Subtraindo os 56 de vida que tinha D. Afonso Henriques quando ele morreu, obtemos o ano de 1112. É importante recordar que S. Teotónio foi amigo pessoal de D. Afonso Henriques e vice-versa..
Estes elementos são tirados da vida de D. Telo, da autoria de Pedro Alfarde. Um argumento de ouro!
Como se pode verificar, as provas são cada vez mais e mais consistentes, contra a hipótese do ano de 1109, o único que convém à teoria de Viseu, cujo autor vai ser proclamado académico de prestígio no próximo dia 20, pela Academia de História. Faço votos para que reine o bom senso que é o que tem faltado. E pelas razões aduzidas é um argumento valiosíssimo.
Barroso da Fonte
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
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